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por Samanta Velho

Sat Jul 12, 2008, 12:22 PM
” Existe um reaproveitar de velhas ideias e materiais, o saco invólucro e o matar de saudades do renascido vinil. Predomina o branco. A cor dos puros. A soma de todas as cores. A cor da verdade. A cor do ritual de passagem.

Ouve-se a mudança na maturação, nas notas que ganharam cãs. No primeiro som há na garganta um corte de ar. Tudo soa ao ácido da infância que agora não acreditamos que existiu, que matámos com sorrisos quentes de um corpo ainda não nosso, arrastado num slow. Começamos a tirar agora as máscaras dos dias quase felizes. Molas de madeira que prendem no estendal os resquícios dos anos, dos cheiros, dos sons e cores… a corda? A corda de sisal, do estendal, cria em movimento gémeo ao som. Pequenos rasgos na pele, por cima da cicatriz que acabou de fechar. São outros os dias que nos prostituem o corpo e fazemos contas às rugas, numa só mão, que valeram a pena.

A porta fecha-se sem estrondo. O dia não vai ser igual, o dia não pode ser igual, o dia não pode ser igual… embora amanhã vá na mesma acordar sem conseguir fugir, refém de mim…”

  • Mood: Peaceful
  • Listening to: linda martini - quarto 210

já antigo!

Tue Mar 25, 2008, 1:12 PM
Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errónea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.


Fernando Pessoa

  • Mood: Confused
  • Listening to: damien rice - cheers darling
  • Playing: it my hair
  • Drinking: suminho de laranja

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